Capítulo inicial, atrasado e fora de lugar
Andorinha Sinhá, além de bela, era um pouco louca. Louquinha, fica lhe melhor. Apesar de ainda frequentar a escola de pássaros - onde o Papagaio ditava a cátedra de religião - tão jovem que os respeitáveis pais não a deixavam sair à noite sozinha com os seus admiradores, já era metida a independente, orgulhando-se se manter boas relações com toda a gente do parque . Amiga das flores e das árvores, dos patos e das galinhas, dos cães e das pedras, dos pombos e do lago. Com todos ela conversava, um arzinho suficiente, sem se dar conta das paixões que ia espalhando ao seu passar.
Mesmo o Reverendo Papagaio, que fazia grande propaganda das próprias virtudes, considerado por todos um pouco eclesiástico devido ao tempo passado no seminário, mesmo ele a olhava, durante as aulas, com uns olhos entornados.
Apesar de todas essas relações e admirações, uma sombra anuviava a vida da Andorinha Sinhá, razão de ser deste atrasado capítulo inicial, pois a sombra era exactamente o Gato Malhado. Ou melhor: o facto dela nunca ter conseguido conversar com o Gato. Aquele sujeito caladão, orgulhoso e metido a besta bulia-lhe com os nervos. Habituara-se a vir espiá-lo enquanto ele dormia ou esquentava sol sobre a grama. Escondida no ramo de uma árvore, mirava-o durante horas perdidas, cismando nas razões por que o feioso não mantinha relações com ninguém. Ouvia falar mal dele mas fitava o seu nariz róseo, de grandes bigodes, e - ninguém sabe por que - duvidava da veracidade das histórias. Assim são as andorinhas, o que se pode fazer? - não há forma de fazé-las compreender a verdade mais rudimentar, a mais provada e conhecida, se elas se metem a duvidar. São cabeçudas e se deixam guiar pelo coração.
Mesmo o Reverendo Papagaio, que fazia grande propaganda das próprias virtudes, considerado por todos um pouco eclesiástico devido ao tempo passado no seminário, mesmo ele a olhava, durante as aulas, com uns olhos entornados.
Apesar de todas essas relações e admirações, uma sombra anuviava a vida da Andorinha Sinhá, razão de ser deste atrasado capítulo inicial, pois a sombra era exactamente o Gato Malhado. Ou melhor: o facto dela nunca ter conseguido conversar com o Gato. Aquele sujeito caladão, orgulhoso e metido a besta bulia-lhe com os nervos. Habituara-se a vir espiá-lo enquanto ele dormia ou esquentava sol sobre a grama. Escondida no ramo de uma árvore, mirava-o durante horas perdidas, cismando nas razões por que o feioso não mantinha relações com ninguém. Ouvia falar mal dele mas fitava o seu nariz róseo, de grandes bigodes, e - ninguém sabe por que - duvidava da veracidade das histórias. Assim são as andorinhas, o que se pode fazer? - não há forma de fazé-las compreender a verdade mais rudimentar, a mais provada e conhecida, se elas se metem a duvidar. São cabeçudas e se deixam guiar pelo coração.
Ai andorinha andorinha acho que estás apaixonada!
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