... tão grande atraso, o Tempo sente-se obrigado a ralhar com a Manhã, se bem, ao lhe chmar a atenção e ameaçar castigo,, esconda um sorriso cúmplice no rosto solene de barbas e rugas. A Manhã confessa a verdade, num gorjeio de pássaro: - Meu Pai, fiquei ouvindo o Vento contar uma história. Perdi a hora. - Uma história? - interessou-se o Tempo, sempre em n«busca do que lhe fizesse menos pesada a eternidade, droga de eternidade! - Conta-me e, se for realmente uma boa história, não só te desculparei como te darei um rosa azul que medrou há muitos séculos e hoje não se encontra mais pois tudo mudou, minha filha, mudou para pior, nada é mais como antes, acabaram-se as boas coisas da vida, ah! - um saudosista, o Tempo.
Senta-se a Manhã aos pés do Mestre, agita as fraldas do vestido de claridade, começa a contar. No meio da história o Tempo adormece mas a Manhã não se interrompe pois ao debulhar a narrativa parece-lhe escutar a voz cariciosa do Vento, vê a expressão de súplica nos olhos malandros. Vento vagabundo e sem pouso, onde andará? Em que recanto do mundo, bisbilhotando, desnundando árvores, varando nuvens, perseguindo a Chuva em correrias pelo céu para derrubá-la por fim no pasto verde? Íntimos, demasiadamente íntimos, o Vento e Chuva, companheiros de vadiagem. Somente companheiros? A Manhã franze a testa, de repente preocupada.
Senta-se a Manhã aos pés do Mestre, agita as fraldas do vestido de claridade, começa a contar. No meio da história o Tempo adormece mas a Manhã não se interrompe pois ao debulhar a narrativa parece-lhe escutar a voz cariciosa do Vento, vê a expressão de súplica nos olhos malandros. Vento vagabundo e sem pouso, onde andará? Em que recanto do mundo, bisbilhotando, desnundando árvores, varando nuvens, perseguindo a Chuva em correrias pelo céu para derrubá-la por fim no pasto verde? Íntimos, demasiadamente íntimos, o Vento e Chuva, companheiros de vadiagem. Somente companheiros? A Manhã franze a testa, de repente preocupada.
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