... também os galos perdiam a cabeça, embrulhando o canto, anunciando a aparição do Sol enquanto a Manhã ainda o acendia, atenta às tiradas do Vento. Viviam de crista baixa, desmoralizados. Relógios e galos fizeram um denúncia ao Tempo - senhor de todos eles -, protesto em oito itens e vinte e seis razões irrespondíveis, mas o Tempo é infinito, não ligou muito - essa coisa de uma hora a mais, uma hora a menos é tolice com a qual não paga a pena preocupar-se quando se tem a eternidade pela frente. Até serve para quebrar a monotonia. Ademais, o Tempo não escondia certa fraqueza pela Manhã. Risonha e inconsequente, jovem e aloucada, pouco afeita a regras e códigos, ela o fazia esquecer por alguns momentos a suprema chateação da eternidade e a bronquite crônica.
Dessa vez, porém, a vadia ultrapassou todos os limites da tolerância. O Vento tentara dividir o longo enredo em dois ou três episódios mas ela exigira a narrativa detalhada e inteira, até o lance final. Já o Sol abrasava quando se despediram.
Vestida de luz branca com salpicos de flores azuis e vermelhas, a Manhã atravessa por entre as nuvens, distraída, pensativa, reflectindo sobre o caso que o Vento viera de lhe contar. Sonhadora ao recordar detahes, ligeiramente melancólica. Um autor erudito falaria em confusão de sentimentos.
Gostaria de não ser a Manhã, a própria, com obrigações estritas, para estender-se nos campos da madrugada a pensar nas intenções do Vento. Por que escolhera ele exactamente aquela história? Haveria uma moral a retirar do relato? Ou o Vento o fizera apenas pelo gosto da narrativa, gratuitamente? A Manhã suspeita de intenção oculta, razão secreta a se denunciar no olhar entornado do parceiro, em inesperado suspiro na hora do desfecho.
Dessa vez, porém, a vadia ultrapassou todos os limites da tolerância. O Vento tentara dividir o longo enredo em dois ou três episódios mas ela exigira a narrativa detalhada e inteira, até o lance final. Já o Sol abrasava quando se despediram.
Vestida de luz branca com salpicos de flores azuis e vermelhas, a Manhã atravessa por entre as nuvens, distraída, pensativa, reflectindo sobre o caso que o Vento viera de lhe contar. Sonhadora ao recordar detahes, ligeiramente melancólica. Um autor erudito falaria em confusão de sentimentos.
Gostaria de não ser a Manhã, a própria, com obrigações estritas, para estender-se nos campos da madrugada a pensar nas intenções do Vento. Por que escolhera ele exactamente aquela história? Haveria uma moral a retirar do relato? Ou o Vento o fizera apenas pelo gosto da narrativa, gratuitamente? A Manhã suspeita de intenção oculta, razão secreta a se denunciar no olhar entornado do parceiro, em inesperado suspiro na hora do desfecho.
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