sábado, 9 de maio de 2009

Ten - Do Gato Malhado...

... ninguém se aproximava. As flores fechavam-se se ele vinha em sua direcção: dizem que certa vez derrubara, com uma patada, um tímido lírio branco pelo qual se haviam enamorado todas as rosas. Não apresentavam provas mas quem punha em dúvida a ruindade do gatarraz? Os pássaros ganhavam altura ao voar nas imediações do esconso onde ele dormia. Murmuravam inclusive ter sido o Gato Malhado o malvado que roubara o pequeno Sabiá, do seu ninho de ramos. Mamãe Sabiá, ao não encontrar o filho para o qual trazia alimento, suicidou-se enfiando o peito no espinho de um mandacaru. Um enterro triste e naquele dia muitas pragas foram pronunciadas em intenção do Gato Malhado. Provas não existiam, mas que outro teria sido? Bastava olhar a cara do bichano para localizar o assassino. Bicho feio aquele.
Os pombos iam amar longe dele: havia quase de certeza de que fora ele quem matara- para comer - a mais linda pomba-rola do pombal, e, desde então, certo pombo-correio perdeu a alegria de viver. Faltavam provas, é verdade, mas- como disse o Reverendo Papagaio - quem podeia tê-lo feito senão aquele sinistro personagem, sem lei nem Deus, tipo à-toa?
As maternais galinhas ensinavam aos pintos cor de ouro como evitar o Gato Malhado em cujas mãos criminosas - segundo afirmavam - muitos outros pintainhos haviam perecido (isso sem falar dos ovos que ele roubava dos ninhos para alimentar seu ignóbil corpanzil). Tampouco o Pato Negro queria saber dele pois o gatarrão não amava a água do lago, tão querida do casal de patos. Os cachorros o haviam procurado para com ele correr e saltar. Mas ele os arranhara nos focinhos e os insultura, eriçando o pêlo, xingando-lhes a família, a raça, os ascendentes próximos e distantes.

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