quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dezanove - O Gato Malhado...

... era a sombra na vida clara e tranquila da Andorinha Sinhá. Por vezes estava cantando uma das lindas canções que aprendera com o Rouxinol, e, de súbito, parava porque via (às vezes adivinhava) o grande corpo do Gato que passava em caminho do seu canto predilecto. Ia então pelos ares, seguindo-o devagar, e, em certa tarde, divertiu-se muito a atirar-lhe gravetos secos sobre o dorso. O Gato dormia, ela estava bem escondida entre as folhas da jaqueira, rindo a cada graveto que acertava nas costas do Gato, levando o preguiçoso a abrir um olho e mirar em torno. Mas logo o cerrava, pensando tratar-se de alguma brincadeira idiota do Vento. De há muito, o Gato Malhado aprendera que não adianta correr atrás do Vento para dar-lhe com a pata. O melhor era deixá-lo cansar-se da brincadeira. Mas naquele dia, como a coisa continuasse, resolveu ir embora. A Andorinha Sinhá retirou-se também, contente com a peça que pregara ao temido Gato Malhado.
Foi nesse dia que ela teve a célebre conversa com a Vaca Mocha. Falo na Vaca Mocha logo no capítulo inicial da história, por se tratar de uma figura das mais importantes do parque. Tinha quase tanto prestígio quanto a Velha Coruja. Tratava-se de uma pessoa tranquila, mesmo um pouco solene, muito circunspecta, por todos os títulos respeitáveis. descendente de um touro argentino e se chamava Rachel Púcio. No entanto, possuía um temperamento vingativo, humor variável. Muito boa para com aqueles a quem amava - com o casal de patos, por exemplo, mantinha relações de muita amizade - brusca e violenta com a gente de quem não gostava: a Mosca Varejeira, os cães e, mais que todos, o Gato Malhado.

Continuação d´O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, uma história de amor.

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