- Creio que ele enlouqueceu... - diagnosticou o Pé de Mastruço que tinha fama de ser bom médico.
- Ele está é preparando alguma nova maldade... - sussurrou a Galinha Carijó, refeita do faniquito, arrastando consigo para longe os pintainhos e Don Juan de Rhode Island.
Enquanto isso o Gato Malhado levantou-se, estirou os braços e as pernas, eriçou o dorso para melhor captar o calor do Sol subitamente doce, abriu as narinas para aspirar os novos odores que rolavam no ar, deixou que todo o rosto feio e mau se abrisse num sorriso cordial para as coisas e os seres em torno. Começou a andar.
Aconteceu então uma debandada geral. O Pato Negro arrastou a pequena Pata Branca para o fundo do lago e assim, num mergulho em que bateu todos os seus recordes anteriores, atravessou para a outra margem onde pôs sua mulherzinha a salvo. Os pombos recolheram-se todos ao pombal, silenciando os arrulhos de amor nos galhos das árvores onde nasciam e se multiplicavam brotos verdes no mesmo minuto transformados em folhas cheias de sombra. Os cães pararam de correr e pular, fizeram como se estivessem muito ocupados em desencavar ossos escondidos. Os botões que começavam a virar flores suspenderam momentaneamente seu trabalho e uma rosa que, apressada, já se abrira, deixou cair todas as pétalas sobre o chão. Menos uma que ficou volteando no ar, ao sabor da brisa.
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