... mais frio fizesse, estivesse onde estivesse, cruzando distantes e íngremes caminhos, pela madrugada arribava ele em casa do Sol para cooperar com a Manhãzinha. Sopra que sopra com a imensa bocarrona de ar. Apenas porém a brasa crescia em labareda, o Vento deixava por conta da Manhã atiçar a chama com o abanador das brisas e começava a recordar aventuras, a contar de coisas vistas nas caminhadas sem destino: nevados topos de montanhas muito acima das nuvens ou abismos tao profundos que jamais a Manhã conseguiria enxergar.
Bisbilhoteiro e audacioso, rei dos andarilhos, rompendo fronteiras, invadindo espaços, vasculhando esconderijos, o Vento carrega um alforje de histórias para quem queria ouvir e aprender.
Fanática por uma boa história, a Manhã se atrasa ainda mais, atenta ao falatório do Vento, casos ora engraçados, ora tristes, alguns longos, prolongando-se em capítulos de folhetim. Pouco dada ao trabalho, a Manhã deixa-se ficar embevecida a escutar. Risonha, melancólica, debulhada em lágrimas - quando mais comovente, melhor a novela - causando irremediável transtorno aos relógios, obrigados a diminuir o ritmo dos pêndulos e ponteiros, na dependência da chegada da Manhã para marcar as cinco horas em ponto. Muitos relógios enlouqueceram, não voltaram jamais a marcar a hora certa, atrasados ou adiantados, trocando o dia pela noite. Outros detiveram-se de vez e para sempre. Certo relógio universalmente famoso, colocado na torre da universalmente famosa fábrica dos universalmente famosos relógios (os mais pontuais do mundo), ele próprio campeão olímpico da hora exacta, suicidou-se, enforcando-se nos ponteiros, por não mais suportar a lentidão da Manhã e o atraso geral da produção. Era um relógio suíço com exemplar senso de responsabilidade e imenso patriotismo industrial.
Bisbilhoteiro e audacioso, rei dos andarilhos, rompendo fronteiras, invadindo espaços, vasculhando esconderijos, o Vento carrega um alforje de histórias para quem queria ouvir e aprender.
Fanática por uma boa história, a Manhã se atrasa ainda mais, atenta ao falatório do Vento, casos ora engraçados, ora tristes, alguns longos, prolongando-se em capítulos de folhetim. Pouco dada ao trabalho, a Manhã deixa-se ficar embevecida a escutar. Risonha, melancólica, debulhada em lágrimas - quando mais comovente, melhor a novela - causando irremediável transtorno aos relógios, obrigados a diminuir o ritmo dos pêndulos e ponteiros, na dependência da chegada da Manhã para marcar as cinco horas em ponto. Muitos relógios enlouqueceram, não voltaram jamais a marcar a hora certa, atrasados ou adiantados, trocando o dia pela noite. Outros detiveram-se de vez e para sempre. Certo relógio universalmente famoso, colocado na torre da universalmente famosa fábrica dos universalmente famosos relógios (os mais pontuais do mundo), ele próprio campeão olímpico da hora exacta, suicidou-se, enforcando-se nos ponteiros, por não mais suportar a lentidão da Manhã e o atraso geral da produção. Era um relógio suíço com exemplar senso de responsabilidade e imenso patriotismo industrial.
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