sexta-feira, 8 de maio de 2009

III - A respeito do vento...

... circulam rumores, murmuram-se suspeitas, dizem-no velhaco e atrevido, capacódio a quem é perigoso dar ousadia. Citam-se as brincadeiras habituais do irresponsável: apagar lanternas, lamparinas, candeeiros, fifós para assombrar a Noite; despir as árvores dos belos vestidos de folhagens, deixando-as nuinhas. Pilhérias de evidente mau gosto; no entanto, por incrível que pareça, a Noite suspira ao vê-lo e as árvores do bosque rebolam-se contentes à sua passagem, umas desavergonhadas.
A caçoada predilecta do Vento é meter-se por baixo da saia das mulheres, suspendendo-as com malévola intenção exibicionista. Truque de seguríssimo efeito nos tempo de antanho, traduzindo-se em risos, olhares oblíquos e cobiçosos, contidas exclamações de gula, ahs! e ohs! entusiásticos. Antigamente, porque hoje o Vento não obtém o menor sucesso com tão gasta demonstração: exibir o quê, se tudo anda à mostra e quanto mais se mostra menos se que ver? Quem sabe, as gerações futuras lutarão contra o visível e o fácil, exigindo, em passeatas e comícios, o escondido e o difícil.
Um tanto quanto louco, decerto; não vamos esconder os defeitos do Vento. Mas por que não falar também de inegáveis qualidades? Alegre, ágil, dançarino de fama, pé-de-valsa celebrado, amigueiro, sempre disposto a ajudar os demais, sobretudo em se tratando de senhoras e donzelas.

2ª Parte "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá"

1 comentário:

paulinha disse...

Lembro-me muito bem do dia em que te dei este livro. Foi um sábado perfeito em que estivemos muito bem todos juntos. Primeiro a passagem pelo Continente para te comprar o livro, depois a impressão do marca livro personalizado para tornar a partilha mais nossa, depois a ida para a Oliveira, o jantar na Rata e o regresso à Oliveira. A Sofia fezte uma surpresa lembraste? Portugal jogava nesse dia na Bélgica... Gosto de saber que gostas do livro. Gosto de ti e da tua nova experiência profissional. Gosto dos teus putos que não conheço. Gosto muito de sábados perfeitos na Oliveira.